Tantos caminhos, tantas veredas…

Andamos uma vida inteira à procura de um momento capital de que possamos fazer um marco, um ponto de partida. Sabemos bem o que isto significa e, por mim, não tenho pensado noutra coisa — obsessão forte, nem me apercebi de alguns pontos de que seria possível partir.

Desgraçadamente, temos quase tudo para esquecer e, apenas, uma ou duas coisas para lembrar.

É entre o esquecer e o lembrar que nos encontramos, nesse território da memória irremediável, causa perdida, afinal.

Figura fora da história, vocábulo de uma aflição não-dita, enfrento a solidão que me persegue e que sigo por entre o fantástico e a tremura do amor — um dia, outro dia, um outro dia ainda e, no final, uma vida.

E tudo isto entre o que poderia ter sido quase tudo e o que é já quase nada!

© José-António Moreira